10 de Fevereiro de 2012
A saída encontrada pela Petrobras e o Governo do Estado para dar vazão à produção de polipropileno do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) vai passar longe das rodovias estaduais e federais que cortam Itaboraí e São Gonçalo e reativar o que foi o principal meio de transporte de combustíveis e cargas do Rio de Janeiro nas últimas décadas: o ramal Visconde de Itaboraí-Saracuruna, desativado há mais de 20 anos. Décadas de abandono da malha ferroviária até seu destino final, em Ambaí, Nova Iguaçu, vai custar às concessionárias que decidirem investir na linha mais de R$ 370 milhões. A obra precisa acontecer em tempo recorde e estar pronta quando o Comperj começar a produzir, em 2012.
A necessidade de reativar os 70 km de linha férrea entre os ramais Visconde de Itaboraí-Magé-Saracuruna-São Bento-Ambaí se deu por ser a solução mais inteligente encontrada para fazer chegar mais de 850 toneladas de polipropileno por ano em São Paulo, principal mercado consumidor da produção do Comperj. Segundo as avaliações do Governo do Estado, se as rodovias fossem a única opção, seriam necessários 280 caminhões de grande porte por dia para transportar a produção, cuja estimativa é de 3,4 mil toneladas anuais. A partir da ferrovia, este volume será transportado em apenas um trem de 100 vagões por dia.
Investidores – O Governo do Estado está agora estudando a demanda e a viabilização de recursos para a obra. Segundo um relatório feito por técnicos da Petrobras, os trechos entre Itaboraí e São Bento estão sob a administração federal e estadual, e estariam disponíveis à concessão. A recuperação desta malha estaria, portanto, a cargo da empresa vencedora da licitação. Já a malha entre São Bento e Ambaí estaria sob a concessão da Ferrovia Centro Atlântica (FCA) que, segundo a Petrobras, não estaria se mostrando interessada em operar, dado os custos para operá-la em bitola larga, e abriria mão de seus direitos. O Governo acredita, no entanto, que o volume de carga irá atrair os investidores.
“Ainda não está definido quem será o operador da ferrovia. Duas empresas detém o direito de operação de alguns trechos. O que podemos dizer é que muito provavelmente estas concessionárias se interessarão por investir neste empreendimento, em função da alta demanda de carga que será gerada quando o Complexo Petroquímico entrar em operação”, afirmou em nota na semana passada a Secretaria Estadual de Transportes.
Assim que o modelo operacional for definido, como quem serão de fato os investidores e de quanto será o custo por tonelada de carga, as obras serão iniciadas. Ainda não existe definição sobre a quantidade de mão de obra que será necessária.
Trem transportará passageiros, mas só para a Baixada
Por mais de 50 anos os moradores de Visconde de Itaboraí tiveram como principal meio de transporte a linha férrea para Niterói. No ano passado, os boatos no bairro davam conta de que a esperança de que ela fosse retomada, por conta do Comperj, atiçavam as esperanças da população. A lógica venceu, e a escolha da Petrobras foi abrir passagem por Magé até a Baixada Fluminense.
Mas, da verba total, R$ 64 milhões serão usados na construção de um ramal de bitola mista, que permite a passagem, no futuro, de trens para passageiros. A Petrobras estima que grande parte de seus funcionários será ‘importada’ do Rio de Janeiro, e os planos logísticos já estariam visando esta facilidade no meio de transporte.
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