11 de Fevereiro de 2012

Voz do polo
Enviado por Thales Ramos 6/1/2010 21:15:30

Obras do Arco Rodoviário vão ficar prontas em dezembro

Um velho projeto de mais de 40 anos, aos poucos vai tomando forma no Estado do Rio. O Arco Rodoviário, que ligará o Porto de Itaguaí ao trecho da BR-101, em Manilha, contornando a Baía de Guanabara, tem previsão de inauguração em dezembro de 2010. O trajeto de 145 km passa por oito cidades e promete impulsionar não só a economia, mas desafogar o trânsito de caminhões na Avenida Brasil e na Ponte Rio-Niterói. As obras serão realizadas pelo Governo do Estado e pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit).
“O projeto desse arco é antiquíssimo. Você tira o tráfego de caminhão da Avenida Brasil, aliviando o trânsito de forma significativa e resolve também o problema de acesso à Ponte Rio-Niterói”, analisa Alexandre Rojas doutor em engenharia de transportes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O arco passará por Itaboraí, Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí e integrará as rodovias Washington Luiz (BR-040), Rio-Teresópolis (BR-116 Norte), Rio-Santos (BR-101 Sul) e Manilha-Santa Guilhermina (BR-493). A estrada facilitará o acesso ao porto de Itaguaí, acelerando também a economia nos municípios cortados pela via. As obras que começaram em março de 2008 apresentaram algumas curiosidades.

Sítios arqueológicos - As atividades começaram nos lotes 1 (Duque de Caxias), 3 (Seropédica) e 4 (Itaguaí), mas no lote 2 (Nova Iguaçu), foram descobertos 18 sítios arqueológicos, que estão sendo monitorados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

As obras são divididas em dois trechos. A da BR-493 tem 100 quilômetros e será feita pelo Dnit e Governo do Estado. Ao todo, serão R$ 978,6 milhões, sendo R$ 700 milhões do Dnit e R$ 228,6 milhões do Estado. O Dnit também toma conta de outro trecho de 26 km, entre Manilha e Santa Guilhermina, e também é responsável pelo repasse dos recursos das obras do entrocamento da BR-040 e da BR-493. Esse trecho tem previsão de conclusão em 2011.

Também sob responsabilidade do Dnit, na BR-101 segue um trecho de 29 km, correspondente a segunda parte do Arco, avaliado em R$ 239 milhões. Caberá ao Dnit a execução da obra que inclui acesso de 3 quilômetros de extensão ao Porto de Itaguaí.

Perereca paralisou obras por um mês

As obras do Arco Rodoviário foram paralisadas em setembro, por conta da perereca de espécie Physalaemus Soaresi. Os 2 cm do pequeno animal em extinção foram suficientes para que as atividades cessassem por um mês no trecho de Seropédica, na área da Floresta Nacional de Eucaliptos Mário Xavier (Flona), área de preservação ambiental. Foi necessário que fizessem um processo especial para preservação da espécie. Técnicos da Estado e do Ministério do Meio Ambiente isolaram a área onde estavam os animais com chapas de metal, o que alterou um pouco o traçado. O trânsito de caminhões poderia prejudicar os anfíbios.
“É sabido que o barulho interfere na acústica desses animais, podendo intervir na reprodução da espécie. Entre os anfíbios, a fêmea é capaz de reconhecer o macho pela emissão de som, processo este chamado de vocalização. O barulho ambiental antropológico pode influenciar negativamente todo o comportamento dos animais que sejam dependentes de emissão/reconhecimento de som”, explica a Doutora Lycia de Brito, Bióloga Phd da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj).

A espécie foi descrita pela primeira vez em 1965. A manutenção de um ambientes estável é muito importante para sobrevivência da Physalaemus soaresi.
“Muito antes do ano de sua descrição (1965), essa espécie habita a região, tendo sido encontrada em abundância por estar em equilíbrio com o meio ambiente. Alterar o meio significa comprometer a sobrevivência dela e de outras várias espécies de anfíbios que ali vivem”, lembra Lycia de Brito.





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