10 de Fevereiro de 2012

Voz do polo
Enviado por Paulo Victor Magalhães 29/8/2010 17:52:03

Boas perspectivas para os setores do mercado

Um grande empreendimento como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), além valorizar o setor industrial da cidade em que está se instalando, como Itaboraí, consequentemente, faz com que outros segmentos de mercado também tenham um crescimento. Sejam eles padaria, restaurante, açougue, posto de gasolina, banca de jornal, imobiliária ou cyber café. Todos têm conseguido, na medida do possível, abocanhar uma fatia desse grande bolo.

Utilizando a máxima ‘quem não tem cão caça com gato’, Álvaro César Carvalho, de 39 anos, viu que sua padaria, que fica em Sambaetiba, na beira da RJ-116, não estava muito bem das pernas. Então, ele aproveitou o crescente número de funcionários de empresas que prestam serviços para o Comperj e abriu um restaurante no mesmo espaço que a panificadora. Com as contas restabelecidas, o comerciante vislumbra aumento do faturamento com a duplicação do projeto.

“Estou com uma expectativa de crescimento por conta desse novo momento da região. Mesmo eu não estando tão perto do Comperj, como os comerciantes do Centro de Sambaetiba, tenho conseguido fazer com que meu negócio cresça. O restaurante aqui nessa região é uma novidade. Tem muita gente de fora, muito movimento”, avalia o comerciante.

José Roberto Marcelo de Carvalho, mais conhecido como Zé da Areia, também soube enxergar a oportunidade. Com 35 anos de Itaboraí e 51 anos de idade, o empresário conseguiu montar seu negócio no ramo da alimentação e hoje fornece quentinhas para funcionários das obras das refinarias. Mas antes da oportunidade de empreender nas proximidades do Comperj, José havia saído de sua cidade para buscar uma chance de carreira.
“Trabalhei como caminhoneiro e alguns anos depois abri uma empresa de revestimento de textura, em São Paulo. Mas em 2006, quando soube que a Petrobras iria se instalar na região voltei para Porto das Caixas. Ficava então na praça do bairro, vendo o movimento de carros com placa de outros estados. Até que um dia, conheci um novo amigo, que precisava de uma casa para morar e um lugar para refeições. A necessidade dele me levou a pensar em um negócio. Resolvi montar uma pensão na sala da minha mãe, com três funcionários e apenas 22 lugares para os clientes”, conta ele.

Atualmente, a pensão cresceu e virou um restaurante com 80 lugares, tem 10 funcionários e fornece em média 150 refeições por dia. As entregas chegaram até mesmo aos canteiros de obras do Comperj:

“Para entregar as quentinhas enfrentei muitos desafios, pois para prestar esse tipo de serviço eu precisava legalizar toda a documentação do restaurante e atender a algumas regras da Vigilância Sanitária. Aos poucos, consegui colocar os documentos em ordem e iniciei várias melhorias no meu restaurante”, explica Zé da Areia.

Nascida e criada em Sambaetiba, Jaqueline Mendes Lopes, 36 anos, casada, com duas filhas, também viu no Comperj uma oportunidade de crescimento. Proprietária de uma padaria na localidade há seis anos, ela decidiu transformar um depósito em restaurante e já pensa em ampliar seu negócio. Hoje, Jaqueline atende a 60 pessoas e quer mais do que dobrar este número.

“Meu restaurante ainda está indo para o segundo ano e não está da forma que eu quero. Quando a Petrobras chegou à região, eu alugava uma loja e as outras do lado usava como depósito. Resolvi abrir o restaurante no lugar do depósito. Eu percebi que não podia ficar parada após a chegada de um projeto tão grandioso. Minha meta é aumentar o atendimento para 150 pessoas. Ainda estou pagando este investimento que fiz, mas quero ampliar o restaurante porque as pessoas almoçam no mesmo horário e muitas vezes perdemos clientes porque fica lotado”, relata.

Novos empreendimentos - Em uma região rural, com centenas de sítios e propriedades rurais, um tipo de comércio mais do que comum em qualquer esquina, o cyber café, chegou há pouco tempo em Sambaetiba. Inaugurado quase junto com o início da terraplanagem do Complexo Petroquímco, o espaço é o único do local e tem atraído pessoas da própria comunidade e funcionários de empresas prestadoras de serviço para a Petrobras.

“Nós vimos que aqui tinha público para isso , que o local tinha um perfil que atenderia às necessidades para manter o cyber café. As próprias crianças e jovens aqui da região são nossos clientes, e até mesmo pessoas que vêm almoçar aqui perto e aproveitam o horário do almoço para fazer pesquisas e acessar o e-mail. Mas eu vislumbro um aumento de clientes, já que o Comperj ainda não está pronto. Mas acho, também, que a Prefeitura precisa ter mais atenção e cuidados para Sambaetiba”, cobra Thiago Quintella, proprietário da loja.

Do comércio mais simples, como uma banca de jornal, a um supermercado, as obras de implementação do Comperj interferem positivamente. Há 10 anos vendendo jornais e revistas no centro de Papucai, em Cachoeiras de Macacu, Elma Mendonça, de 41 anos, comemora a boa fase do negócio.

“O número de pessoas que circula na cidade aumentou muito, e isso interferiu diretamente no faturamento da banca de jornal. Essas pessoas acabam por preferir morar em Cachoeiras de Macacu porque aqui é mais calmo”, acredita comerciante.

Gerente do açougue de um mercado no centro nervoso de Papucaia, Laureci Pereira, de 40 anos, diz que, além de desfrutar do aumento das vendas, fez novos amigos. Segundo ele, as vendas do seu setor dobraram e, os fins de semana, são os dias de picos.

“Essa fase inicial do Comperj já fez dobrar as vendas aqui no açougue. É claro que o nosso diferencial, que é o atendimento, ajuda muito. Mas a vinda desse empreendimento para cá foi determinandte para esse novo e importante momento do mercado. Muitos clientes, que trabalham lá (Comperj) e moram aqui, nos dizem que se hoje o cenário é esse, no futuro será melhor ainda. Se hoje pouquíssimas pessoas estão desempregadas, imagina mais tarde”, calcula Pereira, que faz questão de afirmar que os clientes acabam se tornando amigos por conta do bom atendimento.

Prova maior das possibilidades de crescimento da região, a rede Accor vai construir hotel em Itaboraí, através de uma parceria com o grupo Maio/Paranasa, que terá investimento de R$ 40 milhões. O hotel, de bandeira Ibis, terá 200 quartos e inauguração será em 2012.

Nem tudo são flores

Se alguns comemoram a boa fase no comércio, outros dizem amargar tempos difíceis, em que o orçamento do empreendimento caiu vertiginosamente. Aos 70 anos, Nair Barbosa da Silva ainda comanda
seu comércio em Sambaetiba da ferrovia, como é conhecida parte do distrito que é vizinha à linha férrea, há 47 anos. Segundo ela, nunca passou por uma fase tão ruim de arrecadação.

“O Comperj veio para cá e desapropriou muitos sítios e proprieda-des rurais daqui da região. E, com isso, perdi muitos clientes. Antes, eu faturava cerca de R$ 16 mil no mês. Hoje, se chegar a R$ 5 mil é muito. Às vezes, eu durmo aqui, de tão parado de cliente que está”, reclama dona Nair.

Também comerciante e vizinho de dona Nair, Pedro Paulo da Silva, de 58 anos, afirma que precisa trabalhar como  pedreiro para complementar a renda da família, já que comércio aqui nessa parte de Sambaetiba está muito ruim. Eu tinha dois trailers e com a chegada do Comperj eles desapropriaram a área em que eles ficavam. Eu saí no prejuízo”, critica Pedro Paulo.





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