06 de Fevereiro de 2012
A Petrobras mudou, significativamente, o projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em construção em Itaboraí, no Estado do Rio e determinou que ele será duplicado e que, agora, terão duas e não apenas uma refinaria produzindo, além de matérias-primas para a indústria de plásticos, também combustíveis.
Sua capacidade passará de 150 mil barris diários de petróleo pesado para 330 mil barris ao dia. Ao mesmo tempo, na semana passada, o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense (Conleste) foi consolidado com a criação de um projeto de lei, que deve ser aprovado pelas Câmaras dos municípios em aproximadamente 30 dias. Entre as vantagens, as cidades que integram o Conleste poderão firmar convênios e contratos entre os consorciados.
Em entrevista exclusiva a O São Gonçalo, o presidente do Conleste, Carlos Pereira, prefeito de Tanguá, fez duras críticas às novas diretrizes e, praticamente, intimou a Petrobras a assumir as responsabilidades do ônus desta nova definição.
A Voz do Polo - Como que o senhor vê essa iniciativa e os impactos com a duplicação do projeto? O que isso representa para os municípios?
Carlos Pereira - No projeto original, já era um problema. E agora, com essa duplicação, ficou muito mais complicado. Vamos ter que multiplicar por quatro. É uma situação delicada e nós estamos trabalhando junto à Petrobras, onde apresentamos a possibilidade de resolvermos o processo do Plano Diretor Regional. Acho que a Petrobras tem que custear esse investimento. Nós já assinamos convênio de cooperaçao técnica, com a Fundação Gonçalves Lêdo, que seria uma parceira para montagem da Universidade Corporativa do Conleste. Tudo isso, é uma forma da gente trabalhar a capacidade dos municípios para o enfrentamento da demanda que vamos ter a mais.
A Voz do Polo - Como que os representantes dos municípios reagiram à notícia de duplicação do projeto original do Comperj?
Carlos Pereira - Não fomos consultados. É um caso que você fica impotente. Infelizmente, as coisas aconteceram sem nenhuma discussão. Quando vem de cima para baixo, a hora que você vai dar conta, já aconteceu. Cabe-nos, agora, exigir que a Petrobras cumpra o seu papel, que é de nos ajudar. Se nós não fizermos o dever da casa ontem,porque hoje já é tarde demais, essa região vai se tornar uma situção complicada. Os problemas que nós temos que vencer não são poucos: passam por abastecimento de água, transporte, segurança, qualificação de mão-de-obra, saneamento básico, amplo projeto social. Nós já tínhamos feito um planejamento, só que no primeiro projeto de investimento.
A Voz do Polo - Com a possibilidade de compras conjuntas, de que forma elas serão efetuadas?
Carlos Pereira - É uma iniciativa boa, só que precisa de um entendimento, que depende muito da capacidade de discernimento de cada gestor. Cada um tem seus mecanismos e temos que nos adequar. É uma discussão ainda a ser trabalhada e tudo caminha para que tenhamos esse entendimento. Para estabelecer isso, precisamos de um amplo debate. O fato de ser o consórcio, não significa que vamos monitorar a autonomia de cada município. São propostas. Tudo vai variar muito das necessidades de cada cidade. Mas tem um série de fatores complicadores. Cada município, além do prefeito, tem um responsável nas reuniões das diretorias do Conleste. Mas, vou solicitar aos próprios chefes dos executivos, que participem mais diretamente para que eles tenham a noção do tamanho desta situação e das possibilidades.
A Voz do Polo - Quando a lei deve ser aprovada em Tanguá?
Carlos Pereira - Primeiro, estamos fechando a discussão com as câmaras técnicas do consórcio e, tão logo tenhamos o estudo, vamos encaminhar às câmaras municipais para que possam fazer as votações.
A Voz do Polo - Quais os benefícios efetivos que essa lei pode trazer para o Conleste?
Carlos Pereira - Quando você olha com transparência, com possibilidades dos munícipes, o ganho é bem maior. Mas depende da forma de como as coisas acontecem. O que interessa, hoje, como maior benefício, é o próprio consório. Pena que ainda não tivemos o apoio de quem deveria, que é a Petrobras. Esse apoio é uma forma de todos os segmentos ficarem envolvidos nesse projeto.
A Voz do Polo - Com essa nova fase, qual será o primeiro passo do Conleste?
Carlos Pereira - Nesse primeiro momento, é procurar parcerias para começar estebelecer critérios. Fazer com que a Petrobras banque esse projeto de Plano Diretor Regional. É isso que nos interessa.
A Voz do Polo - Como que os municípios devem agir, a partir de então, com a notícia da duplicação do projeto? Quais os cuidados?
Carlos Pereira - Temos que manter a capacidade de organização dos nossos municípios e cada um tem que fazer o seu papel, fazer o seu dever de casa e fornecer dados fidedignos, para que o Conleste não seja pego de surpresa. Preciso que eles (municípios) nos informem aonde estão os condomínios industriais, as bacias hidrográficas, a sua parte de investimentos na habitação, déficts. Só que hoje, são dados multiplicados por quatro.
A Voz do Polo - Na sua opinião, nos primeiros anos, em quais áreas devem ser alocados esses investimentos?
Carlos Pereira - Primeiramente, na área de saúde. Temos que reestruturar o que existe hoje, dentro do diagnóstico que já fizemos e ampliar os ínidices e, com isso, já temos um grande passo. Precisamos resolver a questão da água e do saneamento. Além da parte de infraestrutura e toda parte de calçamento, arruamento, urbanização, desapropriações, remoções de famílias de áreas de risco. Temos que aproveitar o momento e priorizar o transporte urbano (metrô e transporte de massa), educação básica, e, o principal, a qualificação de mão-de-obra, que é o que mais nos preocupa. Temos que montar células nos municípios do consórcio. Esses são os caminhos mais complicadores. O problema, é que muitas obras, que já eram funcionais já estavam em andamento e hoje já não têm mais sentido, tudo que foi calculado se tornou obsoleto.
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