11 de Fevereiro de 2012

Voz do polo
Enviado por Redação 28/3/2010 18:27:09

Superlotação já começou

Vítimas de acidentes e feridas a bala ou esfaqueadas já fazem parte do dia a dia dos hospitais públicos do entorno do Comperj. Mas, segundo o diretor do Hospital Municipal Desembargador Leal Junior, em Itaboraí, André Alonso, o número de atendimentos desse tipo de ocorrência dobrou nos últimos seis meses. Ele põe a culpa no aumento populacional que a cidade já enfrenta por conta das obras do Pólo.

Em junho do ano passado o Hospital Municipal de Itaboraí registrava 440 atendimentos por dia. Neste ano, já alcançou picos de 880 pacientes emergenciais. A maioria busca a unidade para atendimentos de trauma. De acordo com a observação dos médicos, a quantidade de atropelamentos e acidentes nas estradas tem aumentado na mesma proporção que o número de carros nas pistas que cortam Itaboraí.
“Infelizmente, junto com o desenvolvimento de uma cidade vem também o aumento da violência. Percebemos o aumento no número de esfaqueados e baleados. Conseguimos aumentar a capacidade do hospital, e agora temos cirurgias vasculares e de buco-maxilo, que tem relação direta com o trauma”, disse.

Existe também uma promessa do Governo do Estado da instalação de Centros de Trauma em Niterói e São Gonçalo, totalmente vedados à contaminação externa. Os pacientes chegarão apenas por ambulância ou helicóptero, e as vítimas de queimaduras receberão atendimento diferenciado.

Segundo André Alonso o perfil da doença na região já está mudando. Uma ação conjunta entre alguns municípios fez cair o índice de gastroenterite e diarréias entre crianças e, por sua vez, a taxa de mortalidade infantil. As unidades de saúde têm percebido, no entanto, aumento no número de pacientes cardiovasculares, uma doença ligada diretamente ao stress, característica de cidades desenvolvidas.
“A região ainda está dividida. Enquanto percebemos isso nos grandes centros, também temos bolsões de tuberculose e hanseníase. Os municípios estão mudando, e se não tomarmos precauções, vamos experimentar o caos”, disse Alonso.

O diretor do hospital se refere à uma preocupação que também é comum entre os pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Há um ano estudando a mudança do perfil endêmico e epidêmico da região que rodeia o Comperj, a Fundação busca uma forma de blindar os municípios de doenças que podem vir com os profissionais do petróleo, que circulam por muitos países. A malária é uma preocupação latente.

A pesquisa está sendo encampada por um grupo do Departamento de Endemias da ENSP e do Núcleo de Inovação Tecnológica da ENSP (NIT/ENSP). No começo deste mês foi fechado convênio com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu.





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