10 de Fevereiro de 2012
O brasileiro não se alimenta bem. Essa afirmativa ganha cada vez mais força nos últimos anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) vem alertando sobre a situação da saúde no mundo e, de acordo com seus informes, a má alimentação é uma dos principais fatores que contribuem para o surgimento de doenças crônicas, como a obesidade e a hipertensão.
No Brasil, como em grande parte dos países, a alimentação cotidiana cada vez mais se baseia no consumo excessivo de alimentos muito calóricos, ricos em açúcares, gorduras, sal e aditivos e, também, pobres em vitaminas, sais minerais e fibras. O consumo de legumes, verduras e frutas é cada vez menor.
Somente com uma ação educativa e conscientizadora junto à sociedade poderá se mudar essa situação. Exatamente nesse sentido vejo surgir uma iniciativa muito interessante em São Gonçalo. Por meio de uma parceria entre a Emater-Rio e a prefeitura, 45 escolas gonçalenses participam da campanha Hortas Escolares, Domésticas e Comunitárias.
O objetivo é o de estimular o cultivo e consumo de hortaliças, fazendo com que a população crie hábitos saudáveis de saúde. No princípio do mês, foi realizada uma reunião com técnicos da empresa, em que foi promovido um curso de capacitação para professores e merendeiras e foram distribuídos kits de implantação da horta. Nada melhor do que iniciar pela base. Afinal, é na escola que podemos plantar a semente da conscientização.
Essa campanha me levou a décadas atrás. No início de minha vida profissional participei de um projeto similar, no município de Conceição de Macabu. Lá, eu e as demais professoras recebemos não só orientações sobre o cultivo de hortas, mas também sobre economia rural.
Naquela oportunidade pudemos realizar um excelente trabalho de conscientização junto aos alunos. Eles não só aprendiam como se alimentarem melhor como também a lidar com a terra e como tirar dela seu sustento. Outro impacto muito positivo foi na melhoria da merenda, que passou a ser mais nutritiva e ainda diminuiu os custos da escola. No final, tínhamos alunos muito mais envolvidos, participativos e conscientes.
Acredito no potencial da campanha atualmente desenvolvida. Nossos jovens terão oportunidade de conhecer coisas que num passado não muito distante eram comuns, como colher fruta no pé, comer verduras e feijão com arroz todos os dias.
Os saborosos fast foods estão apresentando uma conta muito alta para ser paga por nossa saúde. Chegou a hora de mudar! Vamos redescobrir o prazer de se alimentar de forma saudável!
A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.
E-mail: recadodaprofessora@jornalsg.com.br
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