10 de Fevereiro de 2012

Recado da Professora
Enviado por Marlene Salgado de Oliveira 3/5/2010 00:40:39

Responsável desde cedo

Essa semana tomei conhecimento de um promotor de Campo Grande (MS) que vem aplicando medidas disciplinares contra alunos violentos. Como pena, os estudantes prestam serviço dentro da própria instituição onde estudam. Trata-se de um exemplo que deve ser seguido pelo resto do país. Nossos jovens e crianças precisam saber que desde cedo devemos ter responsabilidade pelos nossos atos.

O ocorrido no Mato Grosso do Sul me fez lembrar uma situação que passei no início de minha carreira, quando ocupava a direção do Instituto de Educação Clélia Nanci, no bairro da Brasilândia, em São Gonçalo. A escola havia passado por uma reforma, ganhando equipamentos, novas carteiras e cortinas em seu auditório. Nós, professores, estávamos muito felizes.

Contudo, no primeiro dia de aula após a reforma um grupo de alunos depredou a escola, e boa parte das melhorias foram destruídas. Uma imagem que nunca mais vou esquecer.

Mas não podia esmorecer e, enquanto educadora, procuro sempre promover algum aprendizado diante dos fatos. Alguma coisa tinha que ser feita.

No dia seguinte, os alunos só entraram na escola mediante o pagamento de uma pequena quantia na moeda da época, algo em torno de 1 ou 2 reais atualmente. Convocamos os pais para verem o que havia ocorrido.
Reunimos professores, alunos e responsáveis para aproximá-los e conscientizá-los de que a escola era um patrimônio de todos eles e devíamos cuidar bem dela.

Os alunos ajudaram na recuperação de tudo que foi danificado, limparam as salas e o auditório e sentiram na pele a responsabilidade de responder por seus atos. Eu ouvi muitas queixas, alguns políticos até se manifestaram contra a minha iniciativa, mas, no final, todos reconheceram que aquela atitude tinha como objetivo educar nossos alunos. Por todo o período em que estive à frente do Instituto nunca mais tivemos casos de vandalismo e os alunos passaram a ser muito mais participativos.

Nossos jovens têm que entender que a vida é feita de direitos e deveres. É nosso papel mostrar de maneira construtiva o caminho certo. Punir os maus tratos com prestação de serviços na própria escola ao invés de abrir um boletim de ocorrência policial é dar oportunidade de recuperação. O jovem que hoje comete um ato de vandalismo não é um infrator ou um delinquente, é um indisciplinado e, como tal, deve ser cuidado para ser corrigido e ter um futuro melhor.

A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.

E-mail: recadodaprofessora@jornalsg.com.br





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