10 de Fevereiro de 2012
Hoje se encerra o que para muitos foi um verdadeiro período de férias fora de época. Nós, do Estado do Rio de Janeiro, tivemos feriados na quarta-feira, Dia de Tiradentes, e na sexta-feira, Dia de São Jorge. A quinta-feira espremida foi incorporada por muitas pessoas, que tiveram cinco dias de folga. Mas há algo maior para ser analisado.
Períodos de recesso são, normalmente, comemorados por estudantes que, quando não possuem compromisso com algum trabalho, podem curtir mais. Contudo, os feriados têm trazido significantes prejuízos para o comércio e a indústria.
Estatísticas mostram que o nosso país está entre os que mais possuem feriados em todo o mundo. Seja em âmbito municipal, estadual ou nacional, em todos os meses temos alguma data a comemorar. Se não bastasse celebrar um santo ou uma data marcante da nossa história, numa boa parte dessas datas não se trabalha.
Um estudo realizado pela Firjan aponta que os feriados que ocorrerão este ano terão um custo econômico que pode chegar a R$150 bilhões para o país. Para se ter uma ideia, essa quantia representa cerca de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Não quero defender o fim dos feriados. Mas acredito que devemos pensar em dois aspectos desse assunto.
Primeiro, acredito que se deve haver mais controle na criação de feriados. Quando se pensar em criar uma nova data de recesso, defendo que antes se faça um levantamento do impacto que a mesma trará à região contemplada. Não resta dúvida de que o turismo interno brasileiro lucra muito com os feriados, mas deve-se saber a medida certa para que a solução de um segmento da economia não seja o prejuízo do outro.
Outro aspecto que acredito que deva ser levado em consideração sobre nossos feriados é o resgate dos seus significados. Quantos de nós sabemos o que é comemorado em cada feriado? Por exemplo, a maioria sabe que na última quarta foi comemorado o Dia de Tirantes, mas será que todos sabem a importância dele para nosso país?
Nós, educadores, temos que fazer prevalecer os símbolos e ícones. Nossos jovens e crianças devem crescer conhecendo o valor de quem marcou a história do país, bem como reconhecer a importância das celebrações religiosas, seja de quais crenças forem, que marcam a trajetória de nosso povo.
Após os momentos tão sofridos que passamos em nosso estado, nas últimas semanas, esses dias de descanso serviram de alívio. Mas a vida continua e temos que nos preocupar em mover a engrenagem da sociedade, celebrando o passado e trabalhando para construir o futuro.
A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.
E-mail: recadodaprofessora@jornalsg.com.br
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