10 de Fevereiro de 2012
O direito de ir e vir é um dos preceitos mais antigos da humanidade. Esse princípio deve ser algo natural a todos nós. Mas, ainda hoje, em pleno século XXI, há milhões de pessoas que têm esse direito dificultado diariamente. Refiro-me aos portadores de deficiência ou, se preferirem, de necessidades especiais. Não importa a nomenclatura, o que vale é que a sociedade em geral os veja como pessoas merecedoras de respeito.
Nem todas as pessoas são iguais. Pelo fato de apresentar algum tipo de limitação ou falta de habilidade na realização de uma atividade comparada ao desempenho da média de um total de pessoas, a sociedade acaba dificultando a integração deles na sociedade.
Por mais que todos saibam que é um dever que os ônibus possuam acesso com elevador e que as calçadas e os sinais de trânsito sejam adequados para atender a esse público, ainda temos muitos lugares que não respeitam esses direitos. É dever de todo cidadão consciente apoiar as iniciativas positivas nesse sentido e reclamar quando vir algo que vá de encontro ao princípio da integração social.
Fiquei muito feliz nessa semana ao ver que tivemos dois exemplos positivos em nossa região. O primeiro vem de Niterói, com a inauguração do corredor viário da Alameda São Boaventura. A obra pretende melhorar o trânsito na região e acredito que em pouco tempo poderemos saber se causará efeito ou não. Mas o que me chamou a atenção foi saber que todo o trajeto foi preparado para receber pedestres portadores de deficiência. Rampas para cadeirantes, piso com alto-relevo para os cegos e sinal de trânsito com alerta sonoro são algumas das iniciativas tomadas. Parabéns!
O outro exemplo é de São Gonçalo e vem da área da Educação. Estudantes portadores de deficiência passaram a ter transporte gratuito, oferecido pela Secretaria Municipal de Educação. O serviço para alunos com dificuldade de locomoção dispõe de 25 vans que fazem o transporte até a unidade escolar e de volta para casa. O nosso município é o primeiro do estado a criar uma rota especialmente desenvolvida para alunos portadores de deficiência.
Viver em sociedade é saber conviver em harmonia e integrado a todos. É nosso papel fazer valer nossos direitos, respeitando o do próximo. Não importa se somos deficientes físicos ou temos necessidade de uma atenção maior das pessoas. O que realmente vale é que cada um de nós é especial e pode ajudar a tornar nossa sociedade mais eficiente.
A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.
E-mail: recadodaprofessora@jornalsg.com.br
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