25 de Julho de 2014

Polícia
Enviado por Brisa Grilo e Gabriel Saboia 28/1/2010 00:24:10

Traficantes do Rio tomam de 'assalto' favelas de São Gonçalo

Integrantes das duas principais facções criminosas do Rio de Janeiro escolheram São Gonçalo para se refugiar de operações policiais e do avanço das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs). Informações apuradas pela Inteligência da Secretaria de Segurança – as quais O SÃO GONÇALO teve acesso, com exclusividade – dão conta da migração em massa de traficantes de pelo menos 10 favelas das Zonas Norte, Sul e Centro da cidade, a partir de janeiro de 2009.

A rota de fuga – que passa pela Ponte Rio-Niterói e barcas – é usada, principalmente, por ‘soldados’ do Comando Vermelho e dos Amigos dos Amigos (ADA), que se refugiam nas bases dessas facções na região, a exemplo do Jardim Catarina, Guaxindiba e dos complexos da Coruja e do Salgueiro, além de localidades menores, como o Jóquei e Raul Veiga – num total de 10 comunidades.

O diretor da Delegacia Regional de Polícia de São Gonçalo (DRPSG), Rubem Campos, confirmou a existência da rota de fuga Rio-São Gonçalo. Para o delegado, os traficantes teriam escolhido o município por ser mais próximo de suas bases do que cidades da Baixada Fluminense.
"As rotas mais naturais são a ponte e as barcas. Eu mesmo atravesso a Baía de carro todos os dias, armado, e nunca fui parado ou abordado em uma operação policial. Existe um êxodo natural desses elementos, de locais que estão sofrendo mais repressão, porque eles são como camundongos. Vão fugir para onde acham que não estarão correndo risco. Se a migração foi grande, haverá um impacto grande na violência, mas a polícia está atenta, trabalhando com inteligência, e aumentará a repressão em resposta", garantiu Rubem Campos.

Denúncias deram conta, em outubro do ano passado, quando um helicóptero da Polícia Militar foi abatido por traficantes do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, de que os criminosos estariam atravessando a Ponte Rio-Niterói a bordo de táxis para não chamar atenção em blitzen. Os traficantes, segundo fontes policiais, seriam oriundos das seguintes comunidades: Complexo do Alemão, Mangueira, Nova Holanda, Jacarezinho, Borel e Macacos; na Zona Norte, além da Rocinha; na Zona Sul, e Providência e São Carlos; no Centro.

Bases do Rio em São Gonçalo

Complexo da Coruja: pode estar abrigando Fabiano Atanázio da Silva, o FB, apontado como responsável por liderar a invasão ao Morro dos Macacos, em outubro do ano passado, que terminou com derrubada de um helicóptero e a morte de três policiais militares.

Salgueiro: soldados do tráfico do Morro da Mangueira teriam sido enviados a mando de Alexander Mendes da Silva, o Polegar, sendo recebidos por Vital Brasil do Nascimento.

Jardim Bom Retiro e Guaxindiba: estariam acolhendo traficantes da Favela Nova Holanda e do Complexo da Maré, a pedido de Amabílio Gomes Filho, o Coelho.

Jardim Catarina: estariam refugiados traficantes da Favela do Jacarezinho e do Morro do Borel.

Novo México: refúgio de criminosos do Morro da Providência com aval de Lúcio Mauro Carneiro dos Passos, o Biscoito.

Morro da Caixa D’água, no Raul Veiga e Jóquei: Antônio Francisco Bonfim, o Nem, chefe do tráfico da Rocinha, engrossou com soldados as fileiras do tráfico de Levi da Cruz Rabelo, o Levi da Alma, apontado pela polícia como o traficante mais procurado de São Gonçalo.

Reflexos da migração

A falta de espaço dentro de uma organização já montada no movimento do tráfico dos morros de São Gonçalo seria um dos motivos para os confrontos entre facções rivais por pontos de drogas, intensificado desde outubro do ano passado. Estes traficantes teriam recebido, como condicional para se instalar em São Gonçalo, não concorrer com o tráfico que lhes deu guarida. A imposição seria de que se restringissem a crimes como sequestro-relâmpago, ‘saidinhas de banco’ e roubo a pedestres.

Como saída, os traficantes buscaram, então, aproveitar o maior poderio bélico para tentar tomar o controle dos morros de outras facções. Os bairros mais atingidos pelos confrontos são Santa Luzia, Lagoinha, Vista Alegre, Arsenal, Mutondo, Monjolos, Paraíso, Almerinda, Jardim Catarina e Jóquei.

Algumas invasões deixaram saldo considerável: logo no começo de outubro, traficantes do Morro Menino de Deus, ligados ao Comando Vermelho,invadiram o Complexo da Chumbada, no Muntondo, controlado pela ADA, deixando um rastro de sangue, totalizando sete mortos.





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