06 de Fevereiro de 2012
Pela segunda vez em menos de 20 dias, familiares choram pela perda de um bebê no Hospital Municipal Conde Modesto Leal, em Maricá. Na manhã de quarta-feira (12), Wesley Guilherme da Silva Pereira, de apenas 6 meses de idade, teve sua morte anunciada aos pais, que acusaram a situação de greve dos funcionários na unidade como o principal fator da tragédia. O casal Wellinton Pereira Catarino, de 27 anos, e Thaís Pinheiro da Silva, 18, chegou a aguardar, por um dia, a recuperação da criança que enfrentou uma forte gripe, mas não resistiu.
Wellinton contou que assim que chegaram ao hospital na última terça-feira, por volta das 14h, funcionários alegaram que não havia pediatra na unidade.
“Me assustei por ter que me deparar com o descaso logo de cara. Mesmo assim, insistimos e conseguimos o atendimento. De noite, nos retornaram que o estado do Guilherme era estável. Foi aí que fiquei mais tranquilo e retornei para casa, enquanto a Thaís ficou esperando no hospital”, disse.
“Nosso filho pagou pela greve. É um absurdo que o único hospital da região não nos ofereça um serviço digno”, reclamou revoltado o pai, lembrando que o menino era seu segundo filho.
“Mesmo sabendo que nada do que fizerem daqui pra frente vai pagar a vida dele, pretendo ir até a delegacia para registrar queixa”, afirmou.
Os que não perderam ente querido como o casal, mas também sofreram com o descaso da unidade, reclamam. “Ontem, fiquei esperando por duas horas o atendimento. Estou com suspeita de H1N1 (gripe suína) e os funcionários, simplesmente, falam que estão em greve. Já procurei uma clínica particular, mas não tenho condições de arcar com os R$ 60 que são cobrados pela consulta”, disse a recepcionista Niele Feital, de 38 anos.
O titular da 82ª DP (Maricá), delegado Sérgio Caldas, disse que a delegacia está a disposição para atender a família e garantiu que, se houver necessidade, um inquérito será aberto para investigar a verdadeira causa da morte do menino.
A Secretaria Municipal de Saúde de Maricá confirmou que os médicos estão com salários atrasados e informou que o pagamento do mês de abril deve sair até a próxima semana. Com relação a morte do menino Guilherme, consta no prontuário do hospital que a criança chegou à unidade apresentando dificuldades para respirar e febre e que ele foi atendido e exames necessários realizados. Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, os exames realizados na unidade não possibilitam a apresentação de um laudo definitivo que aponte a causa da morte e o mesmo só pode ser feito pelo Instituto Médico Legal (IML).
Recordando
No dia 25 de abril, André Luiz Barbosa Pereira, de 35 anos, e Raquel Pinto da Silva, 23, tiveram, no mesmo hospital, o sonho do primeiro filho tirado.
Na ocasião, a mulher que estava grávida de três meses, sentiu fortes contrações e passou mal, sofrendo um aborto. Segundo o casal, a demora no atendimento, por falta de médicos na emergência, foi determinante para a perda do bebê.
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