19 de Maio de 2012
A chuva fina e intermitente que caiu na noite deste sábado (5) não tirou o ânimo de integrantes das seis escolas de samba do Grupo Especial de São Gonçalo . Boêmios do Jardim Catarina, Acadêmicos do Universo, Pingo D´Água, Caprichosos de São Gonçalo, Acadêmicos do Porto Novo e Unidos do Salgueiro abriram os desfiles na Rua Francisco Portela, também chamada como ‘sambarela’. Ao longo da noite, o número de público variou e na apresentação da terceira agremiação chegava a pouco mais de 500 pessoas.
As apresentações começaram pontualmente às 21h e foram até as 3h15, com destaque para a passagem das escolas do bairro do Paraíso e Salgueiro. A avenida do samba gonçalense volta a receber agremiações amanhã, para as apresentações dos pavilhões Amigos do Barba, Acadêmicos do Jardim Miriambi, Alegria de Guaxindiba e Arco Íris do Boassu, todas do Grupo de Acesso.
Última escola a desfilar e uma das mais aguardadas, a Salgueiro não teve muito público para assistir a sua apresentação, já que a chuva fez questão de insistir. Porém, o número de aplausos reduzido não intimidou os integrantes. A comissão de frente já deixava claro que a escola estava “faminta” pelo título de campeã e que o desfile seria “quente”. A comissão de frente, no geral, estava impecável. Logo atrás, o símbolo da escola, um grande jacaré que se movimentava e tinha de olhos vermelhos acessos, abria alas para o belo desfile, que teve a participação direta dos componentes. Além das fantasias, os carros estavam muito bem acabados e a equipe de som com muita sintonia. Os cerca de 500 integrantes pularam Carnaval, literalmente, e se divertiram com a passagem da escola.
A Acadêmicos do Universo teve a incômoda companhia da chuva, mas não se intimidou. A ação de São Pedro foi deixada de lado e a escola foi considerada, pelo público da arquibancada, como uma das favoritas ao título de campeã deste ano. Com uma apresentação uniforme e carros e fantasias muito bem acabados, o destaque foi a comissão de frente, na qual índios interagiam com a figura de um português. Logo após, uma grande escultura de um indígena em movimento arrancou aplausos da plateia, assim como a ala das baianas, com fantasias leves que permitiram a perfeita evolução. Mas o ponto alto da apresentação foi o primeiro casal de mestre-sala o porta-bandeira (Júlio César e Priscila), com uma fantasia digna de Grupo Especial da Sapucaí.
Prejudicada pela chuva já durante a concentração, a Pingo D´Água, que apresentou as ilusões do Carnaval, teve suas fantasias com volumes diminuídos, o que desanimou alguns componentes. Por falar sobre a festa de Momo, a escola usou e abusou da variação de cores, mas alguns carros apresentaram problemas de acabamento. A comissão de frente teve uma coreografia original em que turistas fotografavam uma mulata do Rio de Janeiro. Mas a escola pode perder pontos porque o carro de som não estava com som. Medo de 10 entre 10 baianas, as fantasias pesadas foram deixadas de lado, o que possibilitou que as integrantes pudessem rodar indiscriminadamente, dando um bonito efeito na avenida.
A Porto Novo, que falou sobre o Rio São Francisco, atrasou para começar o desfile e o primeiro carro teve um destaque faltando, espaço visivelmente notável pelos jurados. Os integrantes da comissão de frente estavam em sincronia e as baianas vestiam uma fantasia diferencia. O segundo carro veio com uma carranca gigantesca muito bem acabada e bonita, mas o ponto alto do desfile foi a apresentação da bateria, com paradinhas emocionantes e de arrepiar. Uma ala que chamou muita a atenção da arquibancada e do público foi a das crianças, que faziam uma roda de capoeira, esbanjando fôlego e técnica da arte criada pelos africanos.
Com o esquenta ao som da música ‘É hoje’, de autoria da cantora e compositora Fernanda Abreu, a escola do Jardim Catarina, que falou sobre os signos, começou o seu desfile já sem a companhia da chuva e impactando o público com uma explosão amarela em sua comissão de frente e abre alas. A comunidade esteve presente e ajudou o pavilhão a agradar ao público, que pôde ver todos os 12 signos do zodíaco e muita cor. A bateria fez paradinhas de arrepiar e os componentes corresponderam às viradas e mostraram muito samba no pé e carisma. Ao final do desfile, a velha guarda foi muito aplaudida, já com a pista seca. A alegoria destaque foi a última, com três sereias esbanjando irreverência.
Um grande diferencial na Caprichosos, que entrou na ‘sambarela’ por volta de 1h da madrugada para falar sobre a cultura gastronômica do Brasil, foi a ala dos deficientes visuais, que, muito animados, agitaram o público, arrancando muitos aplausos. Com a presença incômoda da chuva, o público já era pouco e a animação dos integrantes também, que fez com que a escola estivesse apática e o carro de som sem afinação. O destaque ficou com a ala das baianas, com fantasia bufante e luxuosa, e para o carro que representava Minas Gerais, com um grande caldeirão de feijoadas e leitões assados na parte da frente. O desfile teve até direito a uma reunião de mestres-cucas, infantis.
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